
Enfim, se o Arcade Fire é revolucionário ou se o seu som inspira um movimento anti-capitalista ou não, bom, nada disto é realmente importante. O que importa mesmo é a liberdade conquistada pela banda para compor canções originais, sem cair em modismos, algo que "toque os corações" dos ouvintes.
No primeiro grande trabalho de estúdio da banda, Funeral de 2004, a música que mais me "tocou" foi Wake Up. Sua letra possui simbolismos e profundidade que nos inspiram a mudar a nossa vida, e encarar todas as dificuldades que somos submetidos na vida adulta, mas sem perder a alegria de viver.
A versão original do Arcade Fire é praticamente definitiva, e poderia ser uma daquelas canções que nunca deveriam ser re-interpretadas por nenhum outro artista.

Curiosamente, o tÃtulo do disco de conotação polÃtica, inspirado inicialmente pela canção do Arcade Fire, não foi tão polÃtico assim. Por uma questão de homenagem ao R&B e a soul musica, John Legend e os Roots deixaram para trás a cover feita para Wake Up, e em seu lugar incluiram a versão de Wake Up Everybody, gravada originalmente por Harold Melvin & The Blue Notes, dando assim mais sentido ao disco.
Acho uma pena que Legend e os Roots tenham optado por deixar de fora a canção da banda canadense. Sua inclusão poderia ser interpretada até como um reconhecimento dos artistas da R&B e da soul music atual aos artistas do chamado rock alternativo, que sempre prestaram um tributo aqui e outro acolá a música negra norte-americana.
Mas tudo bem. Para compensar toda esta história, John Legend & The Roots lançaram uma versão ao vivo irretocável, tocada com muita intensidade. Assim como a original, esta cover é de arrepiar também.